Qual etapa dos caminhos de Santiago tem mais subida? Para responder com número, calculamos a subida de cada etapa oficial do nosso banco de traçados. O banco reúne 76 caminhos publicados pela FEAACS, a federação espanhola das associações de amigos do Caminho, em Espanha, Portugal e França. Depois de tirar variantes, trechos longos demais e dados com erro, ficaram 779 etapas de 67 caminhos. Abaixo estão as 15 que mais sobem, o método que usamos e o que ele não consegue medir.
As 15 etapas que mais sobem
| Nº | Etapa | Caminho | km oficial | Subida (m) | Descida (m) | Altitude máx. (m) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Castillon-en-Couserans – Juzet-d’Izaut | Voie des Piémonts | 37,04 | 1.882 | 1.835 | 1.207 |
| 2 | Sobrelapeña – Santo Toribio de Liébana | Camino Lebaniego | 32,72 | 1.658 | 1.399 | 968 |
| 3 | Saint-Jean-Pied-de-Port – Roncesvalles | Camino Francés por Navarra | 24,16 | 1.626 | 849 | 1.449 |
| 4 | Lortet – Bagnères-de-Bigorre | Voie des Piémonts | 40,16 | 1.574 | 1.577 | 862 |
| 5 | Borce – Col du Somport | Via Tolosana | 18,58 | 1.563 | 586 | 1.632 |
| 6 | Bagnères-de-Bigorre – Lourdes | Voie des Piémonts | 32,81 | 1.538 | 1.688 | 1.129 |
| 7 | Lunas – Saint-Gervais-sur-Mare | Via Tolosana | 28,43 | 1.314 | 1.265 | 956 |
| 8 | Cebreros – Ávila | Camino de Levante | 39,19 | 1.186 | 820 | 1.375 |
| 9 | Mesão Frio – Amarante | Camino Torres | 26,78 | 1.137 | 1.369 | 881 |
| 10 | Maspalomas – San Bartolomé de Tirajana | Ruta Jacobea Insular Tunte–Gáldar | 27,59 | 1.134 | 246 | 947 |
| 11 | Pego – Beniarrés | Camino del Alba | 32,83 | 1.118 | 802 | 398 |
| 12 | Terrassa – Montserrat | Camí Català de Sant Jaume (Girona–Terrassa–Montserrat) | 24,90 | 1.111 | 695 | 719 |
| 13 | La Pola de Gordón – Arbás del Puerto | Camino de El Salvador | 22,24 | 1.104 | 779 | 1.566 |
| 14 | Bárcena de Pie de Concha – Reinosa | Camino del Besaya – Calzada Romana | 23,73 | 1.100 | 539 | 1.161 |
| 15 | Pola de Allande – A Mesa | Camino Primitivo | 21,27 | 1.094 | 750 | 1.146 |
km oficial: FEAACS. Subida, descida e altitude máxima: cálculo nosso a partir das altitudes do traçado oficial, no sentido da peregrinação.
O que o ranking mostra
Cinco das 15 etapas estão em caminhos que a FEAACS classifica com código da França: três na Voie des Piémonts e duas na Via Tolosana. Nove estão em caminhos de código espanhol e uma, Mesão Frio–Amarante, num caminho de código português.
A primeira etapa do Caminho Francês por Navarra, de Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles, é a terceira da lista. Ela sobe 1.626 m em 24,16 km, ou 67,3 m por quilômetro, e chega a 1.449 m. Entre as 15, só Borce–Col du Somport sobe mais por quilômetro: 84,1 m/km, até 1.632 m, a maior altitude da lista.
Pego–Beniarrés sobe 1.118 m sem passar de 398 m de altitude: a subida total vem de várias subidas menores ao longo do dia. Três das 15 descem mais do que sobem: Bagnères-de-Bigorre–Lourdes, Mesão Frio–Amarante e, por 3 m, Lortet–Bagnères-de-Bigorre.
Nos caminhos que detalhamos em outros artigos, as posições são estas:
- Camino Primitivo: Pola de Allande–A Mesa, 15º lugar, 1.094 m.
- Camino del Norte: Avilés–Soto de Luiña, 25º lugar, 972 m.
- Caminho Francês: Villafranca del Bierzo–O Cebreiro, 28º lugar, 967 m. A etapa de mais subida entre Sarria e Santiago, Portomarín–Palas de Rei, fica em 148º, com 557 m.
- Caminho Português: Padrón–Santiago, a etapa de mais subida de Tui a Santiago, fica em 224º, com 455 m.
O método
Os dados. A base tem 1.073 trechos. Cada ponto do traçado traz uma altitude. Percorremos os pontos na ordem e guardamos a altitude do último ponto contado. Quando a altitude sobe 5 m ou mais em relação a ele, a diferença entra na subida e esse ponto vira a nova referência. Quedas de 5 m ou mais entram na descida. Variações menores ficam de fora, como ruído do registro.
Quais etapas entraram. Aplicamos quatro filtros, nesta ordem:
- Só etapas da sequência principal de cada caminho, as de código terminado em “a”. Em 75 dos 76 caminhos, a soma delas bate com a extensão oficial. Variantes e alternativas ficaram fora.
- Fora os 14 trechos com mais de 45 km, como Sanguinet–Irún (203,61 km) e Firmi–Toulouse (202,94 km). A base traz esses trechos inteiros, e eles não são etapas de um dia.
- Fora as 11 etapas do Caminho Português Interior. O arquivo traz altitudes de −227 m a 5.112 m, que não correspondem a um trajeto a pé.
- Fora as etapas em que o arquivo de traçado e a ficha oficial não descrevem o mesmo pedaço, pelos nomes de início e fim: 90 etapas em 13 caminhos, a maioria com a numeração deslocada. Duas teriam entrado no ranking: o traçado Santo Toribio de Liébana–Fuente Dé (Ruta Vadiniense, 1.253 m), cuja ficha é Santo Toribio–Espinama, e um traçado Martorell–Mosteiro de Montserrat (Camí Català de Barcelona, 1.165 m), cuja ficha é Sant Feliu de Llobregat–Martorell. Nenhuma outra excluída por esse filtro passaria de 1.094 m.
O sentido. Conferimos se cada traçado está desenhado no sentido da peregrinação, pela ligação com as etapas vizinhas. Doze das 779 estão desenhadas ao contrário. Nelas, trocamos subida por descida. Nenhuma das 15 está nesse grupo.
Os limites do método
O limiar muda o número. Com limiar de 3 m ou de 10 m, em vez de 5 m, 14 das 15 etapas continuam no grupo, e as três primeiras são as mesmas (com 3 m, a segunda e a terceira trocam de lugar). Com 3 m, sai Pola de Allande–A Mesa e entra Lodève–Lunas, da Via Tolosana. Com 10 m, sai Pego–Beniarrés e entra Prioro–Lois, do Camino de las Asturias. Os valores também mudam: entre as 15, a subida cai de 4% a 14% quando o limiar passa de 5 m para 10 m.
A altitude vem do arquivo. Segundo a página do CNIG, o centro de dados geográficos do governo espanhol, os traçados foram feitos por gravação direta de peregrinos ou a partir da cartografia digital do IGN, sem dizer qual dos dois vale para cada etapa. Um erro de altitude no arquivo passa direto para o nosso cálculo, como no Caminho Português Interior.
A densidade de pontos varia. Terrassa–Montserrat tem 5.000 pontos em 24,90 km. Pola de Allande–A Mesa tem 217 em 21,27 km. Mais pontos podem registrar mais oscilações pequenas, e o limiar só filtra parte delas.
O traçado é uma ajuda. O próprio CNIG pede que os traçados sejam usados como apoio à caminhada, nunca como percurso definitivo, e que prevaleça o que se vê no caminho.
Subida acumulada é um número só. Piso, calor, peso da mochila e a ordem das subidas ao longo do dia não entram nele. Mochila e bastão estão no nosso kit Carregar. O mapa com todos os caminhos está na página do Caminho de Santiago.
Fontes
- FEAACS. Rutas de Caminos de Santiago 2020-2026 (CC BY 4.0), no Centro de Descargas do CNIG/IGN, com a descrição de como os traçados foram feitos: centrodedescargas.cnig.es/CentroDescargas/camino-santiago. Consultado em 30/09/2026.
- FEAACS. Ficha da etapa Saint Jean Pied de Port–Roncesvalles: caminosantiago.org. Consultado em 30/09/2026.
- FEAACS. Ficha da etapa Pola de Allande–A Mesa: caminosantiago.org. Consultado em 30/09/2026.
- Banco de dados do Campo e Trilha. Traçados e extensões: FEAACS (Rutas de Caminos de Santiago 2020-2026, CC BY 4.0), via CNIG/IGN. Subida e descida: cálculo do Campo e Trilha a partir das altitudes do traçado. Consultado em 30/09/2026.